Sunday, March 27, 2005

'Sete décadas de futebol profissional'

Faz setenta anos que quatro clubes do Rio deram o pontapé inicial para a implantação do regime remunerado.

Artigo na página do Bangu Atlético Clube

Ninguém se deu conta, mas o profissionalismo no futebol brasileiro está completando 70 anos de vida. Foi em fevereiro de 1933 que os principais clubes de São Paulo aderiram ao movimento iniciado no mês anterior por América, Bangu, Fluminense e Vasco para celebrar a implantação do novo regime.

O amadorismo era, na prática, uma forma de exploração econômica do jogador, como destacou Floriano Peixoto Correia em "Grandezas e misérias do nosso futebol", lançado no finzinho daquele 1933, e no qual o ex-centro-médio de Fluminense e América narra as relações entre jogadores e cartolas durante a vigência do velho regime. Floriano socorreu-se de um artigo do jornalista Max Valentim para resumir o que ocorria. "O amadorismo de tapeação tem dinheiro para palácios de dansa (sic), luxuosos recintos de mundanismo, piscinas e festas aristocráticas que nada têm a ver com o futebol. Mas o amadorismo de tapeação - pobresinho! (sic) - não pode pagar, senão gorgetas (sic), aos rapazes de cujas canelas ele tira restaurantes, mundanismo, terrenos, piscinas e festas", denunciava.

O profissionalismo melhorou as condições dos jogadores. Mas nem tudo foi resolvido com a implantação do novo regime, como explicou o pesquisador Waldenyr Caldas em seu "O pontapé inicial". "Os maiores beneficiados, na verdade, foram os clubes. A legislação inicial dava ao atleta apenas o direito de receber seu salário. Em casos especiais, o clube pagava uma quantia a título de luvas. Mas isso não constava da legislação; portanto, não era obrigatória. Não podemos esquecer que a Consolidação das Leis do Trabalho só surgiria a 5 de janeiro de 1943. Assim, não havia nada que protegesse o jogador e nenhum direito a reivindicar", ressaltou.

No dia 23 de março de 2001, comemorou-se a Medida Provisória editada em Brasília que determinava o fim do passe. Afinal, tal ato foi na prática o maior avanço na legislação desde a implantação do profissionalismo. Supunha-se assim a extinção da escravidão de que já falava Max Valentim. Mas qual o quê. Os jogadores livraram-se do passe, mas a maioria esmagadora caiu na malha fina dos empresários, que são hoje, efetivamente, os donos do futebol.


Texto: Roberto Assaf
Fonte: Lance! (Coluna Papo com Roberto Assaf), 18/02/2003.

Friday, March 25, 2005

O primeiro Fla x Flu





Foto do primeiro Fla x Flu ( Fluminense 3 x 2 ), público de 800 torcedores

Floriano: também técnico?

O Bloggalo registra que em fevereiro de 1937, Floriano foi técnico de uma partida de futebol.
Não há informaçoes complementares disponíveis.

Portuguesa 2 x 3 Atlético

Data: 14/02/37
Local: Canindé, em São Paulo
Árbitro: José Folker-SP
Gols: Guará (2) e Paulista
Escalação do Galo: Kafunga; Zezé Procópio, Florindo, Quim e Bala; Lola, Alfredo (Bazzoni) e Nicola; Paulista, Guará e Resende.
Técnico: Floriano Peixoto Correia

Tuesday, February 15, 2005

Campeões de 1928

América 1928


Garra América

Fluminense Football Clube





Dia de jogo, estádio cheio. Em detalhe, a pista de atletismo.
(Acervo do F.F.C. )

Southamerican Championship 1925

06.12.25 Buenos Aires, Sportivo Barracas

BRA - PAR 5:2 (3:1)

(12,000) Gerónimo Rapossi ARG

BRA: Tuffy - Pennaforte, Clodô - Nascimento, Floriano, Fortes - Filó, Lagarto,
Friedenreich, Nilo, Moderato
PAR: Denis - López de Filippis, Benítez Casco - Brizuela, Fleitas Solich, G.Nessi -
Ramírez, Molinas, L.Nessi, Rivas, Fretes

1:0 Filó 16, 2:0 Friedenreich, 2:1 Rivas 25, 3:1 Lagarto, 4:1 Lagarto, 4:2 Rivas, 5:2 Nilo 72

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13.12.25 Buenos Aires, Sportivo Barracas

ARG - BRA 4:1 (1:1)

(25,000) Manuel Chaparro PAR

ARG: Tesoriere - Bidoglio, Muttis - Médici, Vaccaro, Fortunato - Tarasconi, Sánchez,
Garassini, Seoane, Bianchi
BRA: Tuffy - Hélcio, Clodô - Nascimento, Floriano, Fortes - Filó, Lagarto, Friedenreich,
Nilo, Moderato

0:1 Nilo 22, 1:1 Seoane 41, 2:1 Seoane 48, 3:1 Garassini 72, 4:1 Seoane 74

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17.12.25 Buenos Aires, Boca Juniors

BRA - PAR 3:1 (1:0)

(14,000) Gerónimo Rapossi ARG

BRA: Batalha - Hélcio, Clodô - Nascimento, Floriano, Pamplona - Filó, Lagarto,
Friedenreich, Nilo, Moderato
PAR: Denis - López de Filippis, Benítez Casco - Mena Porta, Fleitas Solich, Brizuela -
L.Nessi, Molinas, Ramírez, Rivas, Fretes

1:0 Nilo 30, 2:0 Lagarto 57, 2:1 Fretes 58, 3:1 Lagarto 61


BRA
José Lodi BATALHA Flamengo
CLODÔ - Clodôaldo Caldeira Paulistano
FILÓ - Anfilogino Marques Paulistano
FLORIANO Peixoto Correa Fluminense
Agostinho FORTES Fluminense
Arthur FRIEDENREICH Paulistano
HÉLCIO de Paiva Flamengo
LAGARTO - Severino Da Silva Fluminense
MODERATO Vinsintainer Flamengo
Carlos de Oliveira NASCIMENTO Fluminense
NILO Braga Fluminense
Estanislau PAMPLONA Botafogo (Río de Janeiro)
Orlando PENNAFORTE de Araujo Flamengo
José RUEDA Corinthians
TUFFY Neugen Sírio Libanês
Coach: Joaquim GUIMARÃES

Monday, February 14, 2005

Como torci minha vida

Sou mineiro. Nasci aos 14 de maio de 1903 na Fazenda da “Casca”, município de Itapecerica, no oeste de Minas Gerais. Filho legítimo de Francisco Antunes Correia e Maria do Carmo Diniz Correia. As primeiras letras aprendi-as no grupo escolar de Lavras, dirigido pelo então professor Firmino Costa. Ernani Negrão, companheiro daqueles saudosos tempos, hoje medico conhecido, assim descreveu para um diário mineiro a minha futebolística:

“Há 16 anos, Floriano Peixoto Correia, esse mesmo Floriano a quem deram as costas nas rodas esportivas cariocas a alcunha de marechal, formava grupo com a gurizada de Lavras, cá em Minas. Era um garoto travesso, tostado de sol, magro esperto e pronto para todas as diabruras. Duas paixões dominavam Floriano, vivendo em seu cerebro como verdadeiras obsessões: futebol e o box. No primeiro destes esportes ele deu conta promissora desde os primeiros ensaios. No segundo não foi bem sucedido. Em um treino, em meu quarto, a mão nua, ele arrancou dois incisivos de um meu primo, que era filho de pai rico, chefe político do lugar. Imaginem os apuros porque passaram – “pupilo”e “empresário”! A indenização não se poderia fazer... O Floriano abandonou o box... No futebol prosseguiu sob a minha orientação. Foi do 3o., do 2o., e finalmente do 1o. team de um clube de futebol, onde se pagava 1$000 de jóia, $200 de mensalidade e multa de $100 quando se faltava aos treinos ou se discutia em campo. Floriano devia ter, então, uns dez anos de idade. Eu o escalava para foward na posição dupla de centro-extrema, porque a nossa linha de avançar era composta só de três elementos, devido as dimensões exíguas do campo. Floriano era ágil, driblava bem, mas possuía chute fraco. Floriano lia os jornais do Rio e de São Paulo que falavam de Rubens, Friendenreich, Belfort e outros astros daqueles tempos. Os seus olhos brilhavam, pelo seu cerebro passavam o sonho confortador de ser um grande player. Certa ocasião, perguntou-me:

- Você acredita que poderei jogar com o Friedenreich?

Eu, criança também, para confortá-lo, respondi-lhe:

- Você ainda vai marcar o próprio Friedenreich.

Os tempos correram. Eu, Floriano, Luiz Sales, Paulo Cavalcanti e os outros da turma, nos separamos na vida. Cada um para o seu rumo. Cada um para a sua luta. Hoje, dezeseis anos passados, o destino reuniu tres daquela saudosa turma. Homens feitos. Responsáveis já. O Luiz é industrial; eu, um modesto medico; Floriano, funcionario no Rio e um grande astro no futebol nacional. Jogou com Friedenreich. Marcou Friedenreich. É igual a Friedenreich
.

De Grandezas e Misérias do Nosso Futebol, págs. 53 e 54.
(Procurou-se manter a ortografia e acentuaçao do texto original.
As diferenças mais evidentes foram mantidas em itálico).

Dribles rápidos


Fluminense...

Fluminense Football Club

O site Flumania registra o livro de Floriano: Grandezas e Misérias do Nosso Futebol entre suas fontes bibliográficas.

Floriano também tem seu nome registrado no Almanaque de Futebol do Fluminense , que eventualmente pode ser ainda encontrado em alguma banca ou livraria.

Buenos Aires, 1925:

Floriano jogou em Buenos Aires, em 1925, pela Seleção
Brasileira contra a Selecao Argentina
(Na época, jogador do Fluminense).

América Football Club


E também está mencionado nas conquistas do Américado Rio de Janeiro, no campeonato de 1922, Centenário da Independência.

O amadorismo...

O amadorismo era, na prática, uma forma de exploração
econômica do jogador, como destacou Floriano Peixoto
Correia em “Grandezas e misérias do nosso futebol”,
lançado no finzinho daquele ano de 1933, e no qual o
ex centro médio do Fluminense e América narra as
relações entre jogadores e cartolas durante a vigência
do velho regime. Floriano socorreu-se de um antigo
jornalista Max Valentim para resumir o que ocorria. "O amadorismo de tapeação tem dinheiro para palácios de dansa (sic), luxuosos recintos de nundanismo, piscinas
e festas aristocráticas que nada têm a ver com o
futebol. Mas o amadorismo de tapeação – pobresinho !
(sic) não pode pagar, senão gorgetas (sic), aos
rapazes de cujas canelas ele tira restaurantes,
mundanismo, terrenos, piscinas e festas", denunciava.


Do site Museu dos Esportes

1933 - Ano que marca...

1933 - Ano que que marca, no Brasil, a passagem do regime amador para o primeiro profissionalismo. É deste ano a publicação do primeiro livro de depoimentos de um jogador de futebol, Floriano Peixoto Correa, que denuncia as condições precárias impostas aos jogadores pelos dirigentes do regime amador, sobretudo aqueles oriundos das camadas populares.

Fonte: No País do Futebol
Autor: Luiz Henrique de Toledo, Jorge Zahar Editor

Breve biografia

O centromédio Floriano Peixoto Correia nasceu em Itapecerica, interior de Minas, em 14 de maio de 1903.

Deu seus primeiros chutes em 1916, no Internacional, pois transferira-se para Porto Alegre para cursar o Colégio Militar. Passou pelo Juventude, de Caxias do Sul-RS, e pelo Grêmio e foi parar no Fluminense após destacar-se em uma partida do campeonato de seleções militares.

No tricolor, foi campeão carioca em 1924. Fez três jogos pela seleção brasileira no
Sul-Americano de 1925, disputado na Argentina. Ganhou fama e o apelido de "Marechal das Vitórias". Em 1928, transferiu-se para o América, pelo qual ganhou o título do Rio naquele ano. Como Oswaldinho, também foi acusado de fazer corpo mole na decisão de 1929, contra o Vasco. Deixou o América. Perambulou por São Cristóvão, Vasco, Santos, Atlético-MG. Em 1933, escreveu um livro intitulado "Grandezas e misérias do
nosso futebol", no qual procurou mostrar que foi inocente no episódio das finais de 1929.

Morreu em Argel, capital da Argélia, em 1938.


Craques do América-RJ

Genealogia e parentescos

Floriano Peixoto Corrêa teve três irmãos: Maria, Arnaldo e Margarida.
Filho de Francisco A. Corrêa, neto de Antonio Antunes Corrêa e bisneto de Joaquim Antunes Corrêa.

Este último foi vigário em Itapecerica, MG, suplente de deputado na Assembléia Geral do Império, no Rio de Janeiro, nos anos de 1838, 1839 e 1840. Participou da votação em 23 de julho de 1840 na Assembléia Geral que aprovou a maioridade de Dom Pedro II.

Sunday, February 13, 2005

Epígrafe

O historiador deve ser preciso, minucioso, sincero, desapaixonado, de modo a não se deixar emplogar pela simpatia, acorvador pelo temor, desvairar pelo ódio, enfim se dominar por qualidades que o desviem da Verdade que é filha legítima de quem historia, emula do tempo depósito dos acontecimentos, testemunha do passado, exemplo vivo do presente e ensino sagrado do futuro.

Cervantes







Epígrafe do Grandezas e Misérias do Nosso Futebol,
escrito por Floriano Peixoto Corrêa.
Editora Flores & Mano, Rua do Ouvidor, 145 - Rio de Janeiro. Sem data.